Campanha do governo do Irã para negar a educação superior aos bahá'ís

Esta página é uma reportagem especial acerca da negativa de acesso à educação superior aos jovens bahá'ís no Irã, que são alvo de uma implacável intolerância religiosa. Os materiais apresentados são uma tradução oficial da página do Bahá'í World News Service sobre este tema.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Brasileiros pelos direitos humanos universais

Cresce a repercussão no Brasil em defesa dos jovens iranianos sem acesso à educação





A campanha internacional Você Consegue Resolver Isso? [do original em inglês, “Can You Solve This?] para defender o direito de acesso dos estudantes iranianos ao ensino superior no Irã

Utilizando imagens de pessoas de diferentes partes do mundo, Mary poderou com a plateia os motivos que levam à negativa de acesso à educação, como desastres naturais, situações de guerra ou conflito, longas distâncias entre o local de residência e as escolas, entre outros. "Em todos esses casos", demonstrou ela, "o papel do Estado é buscar resolver os problemas que impedem essas pessoas de estudar. No caso dos jovens bahá'ís no Irã, entretanto, o que se vê é uma política oficial do Estado de negar acesso à educação por causa das crenças religiosas desses jovens", afirmou. "Qual é o papel da sociedade em situações de injustiça?", provocou ela, apresentando o vídeo da campanha e convidando a todos a enviarem cartas aos seus governantes.
Em uma palestra realizada no evento
TEDxUFG, em 31 de março, a cientista política e representante da Comunidade Bahá'í do Brasil, Mary Aune, fez um paralelo entre vários países nos quais o direito à educação sofre restrições. A apresentação ocorreu no Auditório do Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás e, como todos os eventos que seguem a metodologia TED, será disponibilizada em alta qualidade via internet. repercutiu novamente em território brasileiro, sendo pautada em eventos em Goiânia (GO), Dourados (MS) e Salvador (BA).


As edições da campanha nas capitais baiana e sul-mato-grossense exibiram painéis e vídeos que retrataram as violações de direitos humanos contra os bahá'ís no Irã. No dia 21 de março, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, cerca de 200 pessoas assinaram o livro de presença. “Eu nunca havia participado de uma mobilização mundial e me senti muito útil por ser a voz daqueles que não têm voz”, declara o jovem Wesley Oliveira, de 18 anos.

Entre os dias 2 a 4 de abril, c
erca de mil folhetos foram distribuídos aos estudantes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) alertando sobre o caso e convidando a tomar uma atitude para defender o direito à educação no país islâmico. O evento despertou a atenção das emissoras TV Morena (filial da Rede Globo) e TV Rit, além do jornal O Progresso e dos portais noticiosos Dourados Agora e Dorados News.UFBA), em Salvador, cerca de 200 pessoas assinaram o livro de presença. “Eu nunca havia participado de uma mobilização mundial e me senti muito útil por ser a voz daqueles que não têm voz”, declara o jovem Wesley Oliveira, de 18 anos.
“Tivemos muitos contatos e esperamos agora resultados animadores. Pretendemos reforçar a campanha na UFGD com a formação de um clube de defesa desses jovens estudantes no Irã”, conta uma das participantes, Maria Lucia Tolouei. “Nossa meta é dar continuidade às ações em outras universidades da região”, disse ela.
Segundo Vito Comar, docente da UFGD, a campanha promoveu uma transformação no ambiente universitário. “Não foram os vídeos, nem os cartazes expostos, nem os quase mil folhetos distribuídos, nem as assinaturas - nem a carta padrão enviada pela Internet pelas mais de cem pessoas que quiseram protestar em solidariedade - que mudaram a atmosfera: foi o encontro das almas”, alega Comar. “Alguns colegas professores e outros alunos não apenas elogiaram a iniciativa como também disseram: 'É necessário fazer essa campanha mais vezes, ninguém sabia desta situação!'”, declarou.



A Universidade de Brasília (UnB) foi a precursora da campanha no Brasil, seguida pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A expectativa é que eventos similares ocorram por todo o território nacional ainda este ano.
Iniciada por jovens alemães em meados de 2011, a campanha vem atraindo a adesão de um número crescente de jovens estudantes e outros indivíduos ligados à educação por todo o mundo. A página já foi adaptada para uso em 11 países, e as cartas solicitando ações foram personalizadas para sensibilizar seus respectivos representantes governamentais. Uma página internacional possibilita também o envio de mensagens ao Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, e à Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navy Pillay.


Desde o lançamento da página brasileira, em novembro de 2011, já foram enviadas aos ministros brasileiros da educação, dos direitos humanos e das relações exteriores um total de 1.088 mensagens eletrônicas de protesto contra a situação impostas aos jovens iranianos bahá'ís. O total internacional geral de cartas enviadas supera a marca de 18 mil. Para enviar cartas aos representantes do governo brasileiro, bastar acessar www.can-you-solve-this.org/br e selecionar os destinatários.
A psicóloga Suyane Elias, que também participou da campanha em Dourados, comemorou o envolvimento dos jovens alunos na UFGD. “Acho interessante que, nessa campanha, os estudantes se sensibilizam ao perceberem que a educação, que é um direito primordial, está sendo negligenciado aos bahá’ís no Irã”, diz ela. “Por isso, eles sentem a necessidade de colaborarem com a iniciativa”, acredita.

“A sensação de contribuição é muito grande. Você sente que, dentre algumas pessoas informadas, muitas serão tocadas pelo seu espírito de serviço e unidade. É muito bom poder fazer algo que beneficie aqueles que não têm o direito de levar uma vida como a nossa”, afirma Wesley. “Juntos podemos mudar tudo a nossa volta e tornar o nosso mundo um lugar mais digno e justo”, afirma o rapaz.
Se você deseja apoiar uma edição da campanha em sua escola ou faculdade, entre em contato com a Secretaria Nacional de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá'í do Brasil – SASG pelo endereço eletrônico sasg@bahai.org.br.

Universidade Federal Recôncavo Baiano em favor dos direitos humanos

Campanha “Você Pode Resolver Isso?” mobiliza autoridades pelo direito à educação no Irã


Na próxima terça-feira (14), a segunda edição brasileira da campanha internacional Você Pode Resolver Isso? [“Can You Solve This?, no nome original em inglês]” terá como palco o Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CCS/UFRB), em Santo Antônio de Jesus (BA). O intuito é mobilizar a população baiana em defesa dos estudantes impedidos de acessarem às universidades no Irã por expressarem suas convicções sociais, políticas ou religiosas.

A primeira versão foi sediada na Universidade de Brasília (UnB) em novembro do ano passado. A expectativa é que nesse ano de 2012 a iniciativa seja realizada nacionalmente em outras 13 cidades: Goiânia (GO), Uberlândia (MG), Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Petrópolis (RJ), Vitória (ES), Dourados (MS), Tangará da Serra (MT), Curitiba (PR), Americana (SP), São Carlos (SP), Santo André (SP) e São Paulo capital.
Na Bahia, o manifesto ocorrerá na entrada do pavilhão de aulas do CCS, das 9 às 16 horas. A iniciativa é de estudantes que estão cursando a disciplina optativa “Humanização e Ética em Liderança”, como prática de um “ato de serviço” - uma ação social em prol da melhoria do mundo. Eles acreditam sobretudo que “a injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”, conforme declarou Martin Luther King, um dos principais líderes do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e no mundo.

Durante a campanha, os interessados terão a oportunidade de assinar uma petição eletrônica destinadas a representantes do governo brasileiro e das Nações Unidas solicitando que tomem ações para reverter a situação dos jovens iranianos banidos da educação superior. As cartas em protesto desta situação podem ser acessadas em: http://can-you-solve-this.org/br
Professores, funcionários e estudantes poderão também assistir a vídeos e apresentações, além de ter acesso a uma exposição de painéis que retratam as violações de direitos humanos contra os bahá'ís no Irã.
Para mais informações sobre a campanha na Bahia entre em contato com o professor Dr. Feizi M. Milani, Docente do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde (CCS/UFRB), pelo telefone: (71) 8793-2939. “A iniciativa partiu dos próprios alunos, que se sensibilizaram com as informações que receberam sobre o caso dos estudantes iranianos”, disse ele.

Perseguidos por suas crenças
Desde a Revolução Islâmica em 1979, os 300 mil seguidores da Fé Bahá'í no Irã – a maior religião minoritária no país – estão sob alvo de frequente perseguição religiosa por parte do governo. Entre as diversas facetas desta perseguição está a negativa de acesso à educação – um direito internacionalmente reconhecido há mais de 60 anos, e cujo respeito é dever de todos os países signatários dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos, inclusive o Irã.
A política de estrangulamento da comunidade bahá'í iraniana está descrita num documento oficial revelado pelas Nações Unidas em 1991, conhecido como Memorando Golpaygani. O documento, assinado pelo Líder Supremo, Aiatolá Khamenei, diz que “[os bahá'ís] devem ser expulsos das universidades, seja durante o processo de admissão ou durante o curso de seus estudos, assim que se souber que são bahá'ís”.
Como forma de oferecer uma alternativa a esses jovens, um grupo de professores voluntários que havia sido impedido de lecionar nas universidades também por sua crença na Fé Bahá'í, passou a oferecer, na década de 1980, aulas de nível superior em suas casas. Esta iniciativa ficou conhecida como o Instituição Bahá’í de Educação Superior (BIHE), tendo ganhado prestígio e respeito internacional que garantem a seus egressos vagas em cursos de pós-graduação em vários países, como Estados Unidos, Austrália e Inglaterra.
As autoridades iranianas fizeram várias tentativas de impedir o andamento das aulas oferecidas pelo BIHE nas décadas seguintes. Em maio de 2011, numa série de buscas em casas de bahá'ís, vários de seus colaboradores e professores foram detidos, e materiais de estudo e de uso pessoal foram confiscados. Em seguida, em entrevistas concedidas à mídia controlada pelo Estado, as autoridades iranianas declararam que o BIHE seria uma iniciativa “ilegal”.
Após quase cinco meses de detenção, no dia 18 de outubro de 2011, sete professores bahá’ís receberam condenação de quatro e cinco anos de prisão, acusados de “atos contra o Regime”. Seus nomes são Vahid Mahmoudi, Kamran Mortezaie, Ramin Zibaie, Mahmoud Badavam, Farhad Sedghi, Riaz Sobhani e Nooshin Khadem. O julgamento ocorreu sem a presença do principal advogado de defesa, Abdolfattah Soltani, que fora preso poucos dias por sua atuação em prol de defensores de direitos humanos.
Para saber mais sobre a campanha Você Pode Resolver Isso? no Brasil, acesse www.can-yo-solve-this.org/br ou escaneie a imagem ao lado com o seu celular.
Se você deseja apoiar uma edição da campanha em sua escola ou faculdade, entre em contato com a Secretaria Nacional de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá'í do Brasil – SASG pelo endereço eletrônico sasg@bahai.org.br.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Direito à educação em pauta na Universidade Federal Recôncavo Baiano

Estudantes de diferentes convicções sociais, políticas e religiosas em defesa de jovens iranianos






















A segunda edição brasileira da campanha internacional Você Pode Resolver Isso? [do original em inglês “Can You Solve This?]” foi sediada no dia 14 de fevereiro desse ano no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CCS/UFRB), em Santo Antônio de Jesus (BA), a 200 km da capital baiana.

Os jovens universitários da UFRB se uniram para manifestar contra a situação alarmante vivida pelos estudantes no Irã, onde toda uma geração é impedida de prosseguir com seus estudos por causa de suas convicções: alguns por seguirem a religião bahá'í, outros por atuarem pelos direitos das mulheres, dos estudantes, dos homossexuais e outros grupos perseguidos.

O movimento é resultado de uma mobilização mundial de estudantes que, independente de suas convicções sociais, políticas e religiosas, exigem o respeito ao artigo 26 da Declaração Universal de Direitos Humanos das Nações Unidas, que garante o direito à educação como um bem irrevogável de todo ser humano.

A primeira versão brasileira da campanha aconteceu na Universidade de Brasília (UnB) em novembro do ano passado. A expectativa é que, em 2012, a iniciativa seja realizada nacionalmente em outras 13 cidades: Goiânia (GO), Uberlândia (MG), Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Petrópolis (RJ), Vitória (ES), Dourados (MS), Tangará da Serra (MT), Curitiba (PR), Americana (SP), São Carlos (SP), Santo André (SP) e São Paulo capital.

Na UFRB, o manifesto ocorreu na entrada do pavilhão de aulas do CCS, das 9h às 16h. A iniciativa foi do alunos da disciplina optativa “Humanização e Ética em Liderança” do bacharelado interdisciplinar em Saúde (CCS/UFRB). O Dr. Feizi Milani, professor responsável pela disciplina, disse que passou aos alunos as informações sobre a situação no Irã, o que motivou os estudantes a organizar o evento. “Eles se mobilizaram para realizar uma prática da disciplina a que chamamos de 'ato de serviço' - uma ação social em prol da melhora do mundo”, conta o Professor Milani.

“Fiquei chocada com a realidade a qual esses indivíduos são expostos”, confessa a estudante Letícia Santos. “Após a exposição de vídeos e conversa em sala de aula, eu e meus colegas decidimos realizar a campanha em favor dos jovens que são impossibilitados de exercerem seus direitos enquanto cidadãos”, explica ela, que também é professora de Artes, Geografia e Educação Física em escolas públicas da região.

Professores, funcionários e estudantes tiveram a oportunidade de assistir a vídeos e apresentações, além de ter acesso a uma exposição de painéis que retratam as violações de direitos humanos contra os bahá'ís no Irã – a maior e mais perseguida minoria religiosa daquele país.

O Professor Milani comenta que a questão vai além das crenças religiosas dos estudantes discriminados. “Quem conversava com as pessoas, explicando a situação e convidando para participar da mobilização, eram os próprios estudantes da UFRB, nenhum dos quais é bahá'í. Entre os transeuntes, a grande maioria também nunca havia ouvido falar da Fé Bahá'í”, destacou ele. “Ainda assim, a adesão foi bastante expressiva porque a educação é direito de qualquer ser humano”, comemora ele.

“O Irã mesmo assinou a Declaração de Direitos Humanos, mas por quê não os põe em prática?”, questiona Letícia, aludindo ao fato de o Irã estar entre os 192 Estados-Membros da ONU, mas não cumprir com os compromissos assumidos diante da comunidade internacional.

Mais de 200 pessoas assinaram uma petição eletrônica destinadas a representantes do governo brasileiro e das Nações Unidas, disponibilizada na página da campanha na Internet. O documento solicita que as autoridades tomem ações para reverter a situação dos jovens iranianos banidos da educação superior.

“Vamos continuar a nossa campanha porque acreditamos muito que podemos mobilizar outros na defesa de uma realidade que não é a nossa, mas que precisa ser mudada urgentemente”, declara Letícia. Ela acredita que “os bahá'ís iranianos possuem um conhecimento diferenciado que pode fazer todas diferença na sociedade”.

Sobre a Fé Bahá'í

A religião bahá'í surgiu na antiga Pérsia (atual Irã) em 1844. Seus seguidores acreditam na unidade de Deus e, por conseguinte, da própria religião – independentemente da época em que a Mensagem tenha sido revelada. Os Mensageiros de Deus incluem Abraão, Moisés, Buda, Zoroastro, Krishna, Maomé, Cristo, o Báb e Bahá'u'lláh – o Fundador da Fé Bahá'í.


Os bahá'ís estão estabelecidos em todos os países e territórios do globo, formando um contingente de mais de 7 milhões de pessoas, de todas as raças, etnias e origens religiosas. No Brasil, são mais de 60 mil, espalhados pelas 27 unidades da Federação; no Irã – onde sofrem todo tipo de perseguição – os números excedem os 350 mil.


Para saber mais, acesse www.bahai.org.br ou escreva para info@bahai.org.br.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Campanhas em defesa de direitos no Irã crescem ao redor do mundo

País do Oriente assume características contrárias aos valores da diversidade humana

Em 15 de janeiro de 2012, a certidão de óbito de Zeinad Ghorbani foi negada a sua família e as autoridades iranianas impediram o seu enterro na cidade de Mashad. No dia seguinte, Naim Baghi, estudante da Universidade de Tecnologia de Isfahan, foi expulso da Universidade. Naquela mesma semana, Bashir Ehsani foi convocado para comparecer à Corte Revolucionária de Teerã, acusado de perturbar a ordem pública participando de reuniões bahá'ís e de possuir uma antena parabólica em sua casa. Nos três casos, o incidente ocorreu pelo fato de os envolvidos professarem a Fé Bahá'í.

Com mais de 300 mil seguidores, a Fé Bahá・í é a maior minoria religiosa no Irã; no entanto, ela não é reconhecida pelo governo iraniano e, desde o seu surgimento em 1844, sofre perseguição. Em 21 de outubro de 2011, a Comunidade Internacional Bahá'í publicou um relatório que documenta e analisa a campanha sistemática da mídia do Irã relativa à essa perseguição, incluindo 400 itens da imprensa e mídia durante o período de 16 meses que evidenciam falsas acusações, terminologia incitante ao ódio e à violência, além de imagens repugnantes que difamam e demonizam a Fé Bahá'í, sua história e seus seguidores.

Direito à educação

Diversas ações têm surgido em defesa do direito à educação no Irã, iniciadas em diferentes partes do mundo. A campanha ・Education Under Fire [Educação Sob Ataque]" é uma das mais recentes, numa tentativa de chamar a atenção à negativa de acesso educação para os bahá'ís no Irã. A página eletrônica da campanha, que teve origem nos Estados Unidos, permite aos internautas encaminhar uma carta aberta ao Líder Supremo, Aiatolá Sayyid Ali Khamenei, ao Presidente Mahmoud Ahmadinejad e outras autoridades iranianas.

Com o objetivo de fazer cessar os efeitos políticos discriminatórios praticados pelo governo iraniano, Education Under Fire busca promover a conscientização mundial da defesa do artigo 26 da Declaração de Direitos Humanos, que garante o direito à educação como um bem irrevogável de todo ser humano. A meta é alcançar 25 mil assinaturas até maio desse ano. Desde seu lançamento em dezembro de 2011, foram enviadas quase 9 mil cartas.

A campanha produziu um documentário que traz a história do Instituto Bahá'í de Educação Superior Bahá'í (BIHE, da sigla em inglês), entidade sem fins lucrativos criada no Irã em 1987 com o propósito de oferecer educação de nível superior a uma parcela da sociedade marginalizada pelo governo do país. As aulas eram ministradas por professores voluntários (em sua maioria bahá'ís expulsos de seus empregos em faculdades nacionais após a Revolução de 1979) que ofereciam seus conhecimentos para auxiliar os jovens privados do acesso às universidades iranianas por causa de suas crenças religiosas. Após anos de resistência e superação de dificuldades, o Instituto sofreu um ataque orquestrado no qual foram detidos simultaneamente vários de seus colaboradores. Em 18 de outubro de 2011, sete integrantes do corpo docente do BIHE foram condenados a quatro ou cinco anos de prisão, acusados de fazer parte de uma organização ilegal.

Em uma iniciativa similar, jovens alemães e brasileiros se envolveram em um projeto que chamaram de ・Can You Solve This? [Você Pode Resolver Isso?]". A campanha busca oferecer apoio mundial aos jovens iranianos que são impedidos de prosseguir com seus estudos universitários, incluindo bahá'ís, ativistas, membros de articulações de direitos e outros grupos. Em sua página, há um modelo de carta que pode ser encaminhado no idioma do internauta para as autoridades de seu país solicitando ações junto ao governo iraniano para reverter essa situação. Segundo Martin Kummel, um dos idealizadores da campanha, mais de 15.500 cartas foram enviadas em mais de uma dezena de países desde outubro de 2011.

A versão brasileira da campanha ・Você Pode Resolver Isso?" teve seu lançamento em novembro de 2011 na Universidade de Brasília (UnB), onde por três dias os materiais expostos chamaram a atenção dos estudantes, funcionários e professores para a situação no Irã. Aproximadamente 5 mil pessoas tiveram contato direto com a campanha naquela oportunidade, assistindo aos vídeos e ouvindo explicações oferecidas pelos voluntários locais. A expectativa é que a iniciativa se estenda para outras 12 universidades no Brasil durante todo o ano de 2012.

Numa iniciativa individual, o bahá'í estadunidense John Pilz, de 18 anos, aluno do último ano da escola St. Pete High, escreveu um rap contra a situação imposta aos seus companheiros de fé no Irã. "No meu país, eu tenho garantida a educação. No país deles, é necessário enfrentar discriminação, interrogatório e incriminação. São retratados como a própria abominação", diz o rapaz, que já almeja uma vaga em medicina na Universidade de Harvard. "Hoje exigimos que eles ponham fim ao muro de discriminação, interrogatório e incriminação", diz ele. "Hoje, podemos pavimentar o caminho. Isso é o que dizemos: educação para todos!", complementa.
Prisioneiros de consciência

Em agosto de 2010, sete lideranças bahá'ís presas em 2008 foram condenadas a 20 anos de prisão. A pena foi reduzida posteriormente para 10 anos com base na ausência de provas relacionadas às acusações; porém, numa atitude totalmente infundada, a sentença original foi reinstalada em setembro de 2010, e os sete cumprem pena no presídio de Gohardasht, num município próximo a Teerã. As acusações incluem espionagem, espalhar corrupção na terra, propaganda contra a República Islâmica, estabelecimento de uma administração ilegal, entre outras. Organizações internacionais como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional classificam-nos como prisioneiros de consciência.

Manifestações internacionais em defesa dessas sete lideranças vem sendo realizadas ao longo dos anos, solicitando sua imediata libertação. No Brasil, quase 8 mil máscaras com os rostos dos prisioneiros foram dispostas nas areias de Copacabana em 19 de junho de 2011, numa mobilização que ganhou destaque mundial. Em 18 de setembro daquele ano, durante a quarta edição da Caminhada pela Liberdade Religiosa, seguidores de diversas religiões se uniram aos bahá'ís brasileiros para clamar por justiça e liberdade religiosa no mundo, tendo como destaque o caso dos sete bahá'ís. Na ocasião, mais de 180 mil pessoas foram à Avenida Atlântica, em Copacabana, para pedir paz e tolerância.

Criada em 2007 por um grupo de ativistas de direitos humanos, a Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã (ICHRI, sigla em inglês) convoca a população mundial a se levantar em defesa das vítimas oprimidas pelo governo iraniano. Em dezembro de 2011, a ICHRI lançou o movimento ・Libertem Imediatamente Sotoudeh", utilizando-se do caso da advogada iraniana Nasrin Sotoudeh ・ presa no dia 4 de setembro de 2010 por defender o fim da pena de morte como punição para crianças e adolescentes, entre outros temas ・ para dar visibilidade mundial aos inúmeros prisioneiros políticos existentes no Irã.

 
Extremismo religioso versus direitos humanos

O Irã é um dos estados-parte do sistema das Nações Unidas, e portanto está sujeito aos compromissos que assumiu diante da comunidade internacional. Dentre esses compromissos estão a garantia, promoção e defesa dos direitos fundamentais de todo ser humano, incluindo a igualdade entre mulheres e homens, o direito à educação e à liberdade de crença ou religião. Ainda assim, casos de violações de direitos humanos são algo constante naquele país.

Ao contrário do que haviam acreditado seus idealizadores, a Revolução Islâmica de 1979 trouxe restrições aos direitos e liberdades que culminaram com o estabelecimento de um estado teocrático, em que todas as normas e regulamentos passaram a ser submissos a uma interpretação enviesada dos preceitos religiosos do Islã. Entre as diversas questões suscitadas por esta submissão está uma crescente categorização dos cidadãos iranianos com base em suas crenças religiosas. Ultrapassando os limites do que vem sendo chamado de ・manutenção da ordem・ e "promoção da segurança nacional", adeptos de religiões diferentes daquela adotada como oficial ・ o islamismo xiita ・ sofrem severas privações e, em muitos casos, perseguições.

Apesar de esta situação se estender a seguidores da fé cristã, judaica, zoroastriana e muitas outras minorias presentes naquele país, as vítimas mais constantes de perseguições são provavelmente os bahá'ís. Uma política oficial de extermínio desta população religiosa foi desenvolvida no início da década de 1990 e está em pleno vigor nos dias de hoje. Os bahá'ís são impedidos do acesso às universidades, sofrem severos impedimentos no campo do trabalho, não têm os mesmos direitos básicos que outros cidadãos iranianos e, entre outras privações, enfrentam grandes dificuldades para enterrar seus mortos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Campanhas internacionais focam defesa dos direitos humanos e perseguição no Irã


Pessoas de diversos países aderem às campanhas “Libertem Sotoudeh” e "Você Pode Resolver Isso?"













A organização internacional Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã – ICHRI lançou em dezembro de 2011 uma campanha pedindo a libertação de Nasrin Sotoudeh, uma jovem advogada iraniana presa por defender, entre outras coisas, o fim da pena de morte como punição para crianças e adolescentes.

A campanha “Libertem Imediatamente Soutudeh”, apoiada por diversas organizações em todo o mundo, consiste em uma série de materiais de conscientização sobre o caso, e tem como um de seus objetivos dar visibilidade à trágica situação dos presos políticos no Irã.

Para saber mais, assista ao vídeo da campanha, que contém depoimentos da Prêmio Nobel da Paz do ano de 2003, Shirin Ebadi. Segundo informações do diretor-executivo da ICHR, Hadi Ghaemi, o vídeo já foi visualizado por mais de 33 mil pessoas.

Em uma iniciativa semelhante, estudantes de todo o mundo têm-se engajado na campanha “Você Pode Resolver Isso?”, cujo foco é a defesa do direito à educação de grupos específicos no Irã, como militantes estudantis, defensores dos direitos das mulheres e seguidores da religião bahá'í.

Segundo Martin Kummel, um dos idealizadores da campanha, desde outubro de 2011 mais de 15.500 cartas foram enviadas a autoridades em mais de uma dezena de países pedindo providências para defender o direito à educação superior desses jovens no Irã. A página da campanha apresenta ainda um vídeo de mobilização, repassado a milhares de pessoas neste período.

Clique aqui para ler mais sobre a repercussão da campanha “Você Pode Resolver Isso?” no Brasil.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

WASHINGTON D.C., 8 de dezembro de 2011, (BWNS) – Quase 50 lideranças de escolas de medicina dos Estados Unidos uniram-se ao protesto mundial contra a perseguição do governo iraniano contra os estudantes e educadores bahá’ís.

Quarenta e oito reitores e vice-presidentes sênior – representando mais de um terço das escolas americanas de medicina – assinaram uma carta aberta aos representantes do Irã nas Nações Unidas. A carta foi publicada na página da “Associação Contra Discriminação Educacional” em Língua Persa em 7 de dezembro – dia em que os movimentos estudantis iranianos comemoram anualmente o Dia do Estudante.

Leia aqui a declaração em persa e em inglês.



“Como líderes de instituições educacionais mundialmente reconhecidas, escrevemos para expressar nossa preocupação a respeito do tratamento dispensado aos estudantes e educadores bahá’ís no Irã”, diz a carta.

“Como lideranças da educação médica, acreditamos que a educação é um direito humano inerente. Em nossas respectivas instituições, nós sempre recebemos e continuaremos a receber estudantes, residentes, colegas, e professores do mundo todo, independente de suas crenças religiosas. Damos as boas vindas a toda essa diversidade populacional em nossas comunidades educacionais para contribuírem na descoberta e difusão do conhecimento em benefício da humanidade.”

O principal signatário da carta – Dr. Philip Pizzo, reitor da Escola de Medicina da Universidade de Stanford – ajudou a coletar assinaturas no último mês durante a reunião anual do Conselho de Reitores de Escolas de Medicina da Associação de Faculdades Americanas de Medicina.

A declaração detalha o ataque sistemático das autoridades iranianas a uma iniciativa informal da comunidade – conhecida como o Instituto Bahá’í de Educação Superior (BIHE) – que foi estabelecida para prover educação aos jovens bahá’ís, privados do acesso à universidade. Sete bahá’ís ligado ao BIHE estão agora cumprindo sentenças de quatro e cinco anos de prisão.

“A detenção dos professores e administradores do BIHE, bem como o impedimento de gerações de bahá’ís de terem acesso à educação unicamente por causa de sua origem religiosa são violações da Declaração Universal de Direitos Humanos, adotada pelas Nações Unidas em 1948, e do Tratado Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, do qual o Irã é Estado-membro”, continua a carta.

“Por isso, conclamamos seu governo a libertar da prisão os professores e administradores do BIHE. Pedimos, ainda, que seu governo estenda aos estudantes e professores bahá’ís do Irã os mesmos direitos à educação que nós oferecemos a todo estudante e professor nas nossas instituições, independente de sua cultura, religião ou país de origem.”

A carta aberta foi publicada no mesmo dia em que a situação dos educadores e estudantes bahá’ís foi levantada numa declaração conjunta de um grupo internacional de legisladores – os Senadores dos Estados Unidos Mark Kirk e Joseph Lieberman, o Membro do Parlamento canadense Irwin Coler, o Membro do Parlamento britânico Denis MacShane, o Membro do Parlamento australiano Michael Danby, a Membro do Parlamento italiano Fiamma Nirenstein, e o Membro do Parlamento lituano Emanuelis Zingeris.

Essas ações recentes ocorreram poucos dias depois de a senadora Mobina Jaffer, a primeira senadora muçulmana do Canadá, ter declarado perante uma investigação do Senado Canadense que o fato de o Irã ter agora criminalizado a educação de jovens era algo “sem precedentes”.

A condenação de prisão dos sete educadores bahá’ís já se espalhou pelo mundo todo. O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon – juntamente com figuras proeminentes como o Nobel da Paz Arcebispo Desmond Tutu, Jose Ramos Horta e o Tenete-General Romeo Dallaire, ex-comandante da força de paz das Nações Unidas que tentou por fim ao genocídio dos anos de 1990 em Ruanda – liderou a crítica às sentenças impostas a esses indivíduos.

No mês passado, mais de 50 professores da Irlanda conclamaram as autoridades iranianas a permitir acesso à educação superior para todos, enquanto 26 profissionais da indústria cinematográfica urgiram o governo do Brasil a defender os direitos de cineastas, jornalistas e educadores bahá’ís, exigindo que o Irã libertasse imediatamente os aprisionados.

Em outubro, cerca de 43 renomados filósofos e teólogos de 16 países – incluindo o brasileiro Leonardo Boff – assinaram uma carta aberta, protestando contra o ataque ao BIHE.

Na Alemanha, cerca de 45 professores proeminentes exigiram a imediata soltura dos sete, enquanto na Austrália cartas de protesto foram enviadas por 73 professores universitários e pela instituição “Universities Australia” que representa os vice-reitores de todas as universidades australianas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Estudantes brasileiros levantam suas vozes para defender o direito à educação no Irã

Centenas de pessoas mobilizadas na versão brasileira da campanha “Você Pode Resolver Isso?"

Cerca de quinhentos estudantes da Universidade de Brasília – UnB engajaram-se em uma campanha internacional para defender o direito dos estudantes iranianos de terem acesso às universidades em seu país. De 21 a 23 de novembro, eles tiveram a oportunidade de saber mais sobre a situação enfrentada por seus pares no Irã, os quais são impedidos do acesso à educação superior.

“As pessoas são impedidas do direito de estudar porque defendem direitos de estudantes, direitos das mulheres, ou porque são seguidores da Fé Bahá’í”, diz Lia Cruz, que atualmente está cursando o mestrado em Letras na UnB.

Com o apoio de cerca de 20 outros voluntários – a maioria dos quais estudantes da Universidade – ela e seu marido Regis D’Anton organizaram uma exposição de banners, vídeos e outros materiais relacionados à campanha Você Pode Resolver Isso?, recentemente lançada em português. “Muitos foram atraídos pelos cartazes com o código QR que faz um link direto a página da web”, disse Regis. “Mas, a maioria das pessoas queria saber mais sobre a perseguição aos bahá’ís no Irã e sobre os princípios da Fé Bahá’í. Alguns passaram mais de uma hora conversando conosco, fazendo perguntas e expressando sua indignação”, prosseguiu ele.

Com um computador conectado à internet, os estudantes e a faculdade puderam ter acesso à página da versão brasileira da campanha, na qual é possível enviar cartas aos Ministros da Educação, de Relações Exteriores e de Direitos Humanos do Brasil, pedindo que tomem medidas para defender o direito dos estudantes iranianos à educação. Cartas foram enviadas também ao secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, e a Navy Pillay, Alta Comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Antônio Marques está no último ano de Filosofia da UnB e foi um dos estudantes interessados em participar da campanha. “O que está em jogo não é apenas uma questão fé. Tem a ver com valores”, disse ele. Antônio considerou a campanha bastante informativa e enfatizou a importância de aumentar a consciência da situação imposta pelo regime iraniano. “Estas violações não são exclusivamente de religião, elas envolvem política, economia lei e cultura”, justifica.

Repercussão nacional

A campanha na UnB provocou o interesse da TV Band, uma das maiores emissoras de televisão do país. Uma entrevista com Hasti Khoshnammanesh – que deixou o Irã por causa das severas restrições impostas aos bahá’ís pelo governo – foi transmitida em cadeia nacional no Jornal da Noite apresentado pelo renomado jornalista Boris Casoy.

Hasti é graduada pelo Instituto Bahá’í de Educação Superior – BIHE. Ela falou a respeito da negativa de acesso à educação a estudantes bahá’ís e dos ataques ao Instituto quando ela ainda se encontrava no Irã. “Agentes do governo invadiram nosso laboratório de informática. Levaram computadores, equipamentos e destruíram todo o resto. Não deixaram nada”, lembra ela. Agora ela reside em Brasília com seu marido e sua filha de sete anos, e é professora numa escola local – um sonho que não poderia se tornar realidade se ela tivesse permane
cido em seu país.

A reportagem mencionou que atualmente há cem bahá’ís atrás das grades no Irã, incluindo as sete lideranças bahá’ís, detidas em 2008, e diversos educadores do BIHE.

“Como cidadã bras
ileira, eu, jovem, estudante, quero que meu país reflita na sua política externa os princípios de direitos humanos que são garantidos pela Constituição”, disse Mary Aune, outra participante da campanha entrevistada pela TV Band.

“A religião bahá’í está sendo perseguida violentamente pelo governo teocrático do Irã, e o governo brasileiro, cheio de
dedos com os aiatolás, assiste a tudo silenciosamente”, disse Boris Casoy, referindo-se à abstenção nas Nações Unidas em 21 de novembro, durante a votação sobre a resolução que condenou o Irã pelo seu histórico de direitos humanos. “Isto é uma vergonha!”, declarou ele.


Levantando vozes em todo o Brasil

A Universidade de Brasília (UnB) é conhecida pelo seu tradicional envolvimento em movimentos sociais pela liberdade e direitos humanos. Ela foi fundada no início dos anos 1960, quando o Brasil estava sob o governo militar, e
desde então os estudantes de todas as partes do país se reúnem no campus para discutir questões sociais e tomar posição diante da injustiça. “Foi a primeira universidade pública a instituir ações afirmativas para permitir o ingresso e permanência dos estudantes negros”, esclarece Lia.

“Eu acredito q
ue este ativismo contribuiu bastante para o que a UnB representa hoje”, diz Lia, “e por isso achei que seria o melhor espaço para mobilizar estudantes em defesa dos direitos humanos dos jovens no Irã.”

Em setembro d
esse ano, ela e seu marido participaram da 4ª edição da Caminhada pela Liberdade Religiosa, para a qual Regis contribuiu com a elaboração de diversos materiais para chamar a atenção da perseguição sofrida pelos seus correligionários na República Islâmica. Organizada pelo Comitê de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) do Rio de Janeiro, a Caminhada foi realizada na orla de Copacabana, onde 18 mil pessoas de todas as religiões e credos se reuniram para manifestar contra a intolerância religiosa.

“Quando voltamos a Brasília, muitos dos meus colegas e professores da Universidade perguntaram se iríamos fazer um evento semelhante aqui”, disse Lia. “Regis e eu decidimos então mobilizar pessoas em torno da Campanha Você Pode Resolver Isso?

Enquanto ela se engajou em fazer todos os arranjos para obter permissão para organizar a campanha no campus, Regis c
oncentrou-se no desenvolvimento de materiais visuais para o evento. Eles convidaram amigos de todas as origens para se tornarem parte do projeto. “As pessoas ajudaram conforme sua disponibilidade. Algumas distribuíram cartazes pela universidade, outras ajudaram no contato direto com o público, ofereceram transporte, trouxeram lanches... essa unidade foi essencial para o sucesso da campanha”, disse Lia.

O jovem casal ag
ora planeja ajudar outros jovens a organizar eventos semelhantes em universidades em todo o país. “Estamos preparando um livreto com todas as informações sobre a campanha, sugestões de pessoas que podem ser contatadas nas universidades, estratégias para envolver a comunidade e atrair a mídia”, esclareceu Regis. “Os arquivos com as artes dos banners e folhetos também serão disponibilizados para quem quiser levar a campanha para suas escolas. Amigos em Mato Grosso e Manaus já nos contataram para pedir esses materiais”, comemorou.

“Somos todos responsáveis por aqueles que têm seus direitos negados por motivos de intolerância religiosa. Somos uma família. Essas pessoas ficariam felizes em saber que não estão sozinhas”, concluiu ele.