Cresce a repercussão no Brasil em defesa dos jovens iranianos sem acesso à educação
A campanha internacional Você Consegue Resolver Isso? [do original em inglês, “Can You Solve This?] para defender o direito de acesso dos estudantes iranianos ao ensino superior no Irã
Utilizando imagens de pessoas de diferentes partes do mundo, Mary poderou com a plateia os motivos que levam à negativa de acesso à educação, como desastres naturais, situações de guerra ou conflito, longas distâncias entre o local de residência e as escolas, entre outros. "Em todos esses casos", demonstrou ela, "o papel do Estado é buscar resolver os problemas que impedem essas pessoas de estudar. No caso dos jovens bahá'ís no Irã, entretanto, o que se vê é uma política oficial do Estado de negar acesso à educação por causa das crenças religiosas desses jovens", afirmou. "Qual é o papel da sociedade em situações de injustiça?", provocou ela, apresentando o vídeo da campanha e convidando a todos a enviarem cartas aos seus governantes.
Em uma palestra realizada no evento TEDxUFG, em 31 de março, a cientista política e representante da Comunidade Bahá'í do Brasil, Mary Aune, fez um paralelo entre vários países nos quais o direito à educação sofre restrições. A apresentação ocorreu no Auditório do Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás e, como todos os eventos que seguem a metodologia TED, será disponibilizada em alta qualidade via internet. repercutiu novamente em território brasileiro, sendo pautada em eventos em Goiânia (GO), Dourados (MS) e Salvador (BA).
As edições da campanha nas capitais baiana e sul-mato-grossense exibiram painéis e vídeos que retrataram as violações de direitos humanos contra os bahá'ís no Irã. No dia 21 de março, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, cerca de 200 pessoas assinaram o livro de presença. “Eu nunca havia participado de uma mobilização mundial e me senti muito útil por ser a voz daqueles que não têm voz”, declara o jovem Wesley Oliveira, de 18 anos.
Entre os dias 2 a 4 de abril, cerca de mil folhetos foram distribuídos aos estudantes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) alertando sobre o caso e convidando a tomar uma atitude para defender o direito à educação no país islâmico. O evento despertou a atenção das emissoras TV Morena (filial da Rede Globo) e TV Rit, além do jornal O Progresso e dos portais noticiosos Dourados Agora e Dorados News.UFBA), em Salvador, cerca de 200 pessoas assinaram o livro de presença. “Eu nunca havia participado de uma mobilização mundial e me senti muito útil por ser a voz daqueles que não têm voz”, declara o jovem Wesley Oliveira, de 18 anos.
“Tivemos
muitos contatos e esperamos agora resultados animadores. Pretendemos
reforçar a campanha na UFGD com a formação de um clube de defesa desses
jovens estudantes no Irã”, conta uma das participantes, Maria Lucia
Tolouei. “Nossa meta é dar continuidade às ações em outras universidades
da região”, disse ela.
Segundo Vito Comar, docente da UFGD, a campanha promoveu uma transformação no ambiente universitário. “Não
foram os vídeos, nem os cartazes expostos, nem os quase mil folhetos
distribuídos, nem as assinaturas - nem a carta padrão enviada pela
Internet pelas mais de cem pessoas que quiseram protestar em
solidariedade - que mudaram a atmosfera: foi o encontro das almas”,
alega Comar. “Alguns colegas professores e outros alunos
não apenas elogiaram a iniciativa como também disseram: 'É necessário
fazer essa campanha mais vezes, ninguém sabia desta situação!'”,
declarou.
A Universidade de Brasília (UnB) foi a precursora da campanha no Brasil, seguida pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A expectativa é que eventos similares ocorram por todo o território nacional ainda este ano.
Iniciada
por jovens alemães em meados de 2011, a campanha vem atraindo a adesão
de um número crescente de jovens estudantes e outros indivíduos ligados à
educação por todo o mundo. A página já foi adaptada para uso em 11
países, e as cartas solicitando ações foram personalizadas para
sensibilizar seus respectivos representantes governamentais. Uma página
internacional possibilita também o envio de mensagens ao Secretário
Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, e à Alta Comissária das Nações
Unidas para Direitos Humanos, Navy Pillay.
Desde
o lançamento da página brasileira, em novembro de 2011, já foram
enviadas aos ministros brasileiros da educação, dos direitos humanos e
das relações exteriores um total de 1.088 mensagens eletrônicas de
protesto contra a situação impostas aos jovens iranianos bahá'ís. O
total internacional geral de cartas enviadas supera a marca de 18 mil.
Para enviar cartas aos representantes do governo brasileiro, bastar
acessar www.can-you-solve-this.org/br e selecionar os destinatários.
A
psicóloga Suyane Elias, que também participou da campanha em Dourados,
comemorou o envolvimento dos jovens alunos na UFGD. “Acho
interessante que, nessa campanha, os estudantes se sensibilizam ao
perceberem que a educação, que é um direito primordial, está sendo
negligenciado aos bahá’ís no Irã”, diz ela. “Por isso, eles sentem a
necessidade de colaborarem com a iniciativa”, acredita.
“A
sensação de contribuição é muito grande. Você sente que, dentre algumas
pessoas informadas, muitas serão tocadas pelo seu espírito de serviço e
unidade. É muito bom poder fazer algo que beneficie aqueles que não têm
o direito de levar uma vida como
a nossa”, afirma Wesley. “Juntos podemos mudar tudo a nossa volta e
tornar o nosso mundo um lugar mais digno e justo”, afirma o rapaz.
Se
você deseja apoiar uma edição da campanha em sua escola ou faculdade,
entre em contato com a Secretaria Nacional de Ações com a Sociedade e o
Governo da Comunidade Bahá'í do Brasil – SASG pelo endereço eletrônico sasg@bahai.org.br.















Hasti
é graduada pelo Instituto Bahá’í de Educação Superior – BIHE. Ela falou
a respeito da negativa de acesso à educação a estudantes bahá’ís e dos
ataques ao Instituto quando ela ainda se encontrava no Irã. “Agentes do
governo invadiram nosso laboratório de informática. Levaram
computadores, equipamentos e destruíram todo o resto. Não deixaram
nada”, lembra ela. Agora ela reside em Brasília com seu marido e sua
filha de sete anos, e é professora numa escola local – um sonho que não
poderia se tornar realidade se ela tivesse permane